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Pressão arterial, um pouco de história

03/09/2018

Doutor, qual é minha pressão arterial? A resposta mais antiga está na frase do filósofo romano Lucius Seneca (4 a.C - 65 d.C) “O médico não pode prescrever por carta, nós precisamos sentir o pulso”. E é assim que começa a historia da mensuração da pressão arterial.

Foram muitas descobertas e personagens, mas coube ao clínico italiano Scipione Riva-Rocci (1863-1937) a invenção do primeiro aparelho de medir a pressão arterial de uso clínico, em 1896. Chamado de esfignomanômetro, cuja origem vem de sphygmos, que significa pulso. Semelhante aos que atualmente utilizamos, era constituído de uma braçadeira para envolver o braço - manquito para ser inflado e desinflado - uma pêra para insuflação de ar e um tubo de vidro com mercúrio. Riva-Rocci descreveu que “escolheu a artéria do braço por ser um ponto mais perto da aorta e que expressa melhor a carga total necessária para impedir a propagação do sangue”.

O manguito inflado exercia pressão sobre a artéria, por todos os lados. Quando havia a perda do pulso com a progressiva insuflação, o valor na coluna de mercúrio correspondia a pressão máxima - sistólica - sendo considerada revolucionária sua técnica para a época. No entanto, ela não permitia medir a pressão mínima - diastólica.

Devemos ao cirurgião militar russo Nikolai Korotkov (1874-1920) a primeira descrição do que hoje fazemos de rotina, com um manguito e um estetoscópio. Sua apresentação em 1905, na Academia Imperial Médica Militar de São Petersburgo, relatou que “... baseado nas observações de que, sob completa constrição, a artéria não emite sons (...) o aparelho de Riva-Rocci é colocado no braço e sua pressão é rapidamente aumentada até bloquear completamente a circulação abaixo do manguito, quando deixa-se de ouvir qualquer som pelo estetoscópio colocado logo abaixo do manguito. Então, deixando a pressão no tubo de mercúrio cair até certa altura, um som curto e fraco é ouvido, o que indica a passagem de parte da onda de pulso sob o manguito, caracterizando a pressão máxima. Deixando a pressão do manômetro continuar baixar progressivamente, ouve-se o sopro da compressão sistólica, e que se torna novamente som. Finalmente, todos os sons desaparecem, o que indica livre passagem do fluxo sanguíneo ou, em outras palavras, a pressão ultrapassou a pressão exercida pelo manguito. Este momento corresponde a pressão arterial mínima...”.

Foram menos de 200 palavras apresentadas pelo tímido e introvertido cirurgião militar, mas que redundaram em forte debate. Pouco se ouviu falar desde então desse observador criterioso.

Mais de 100 anos após sua descoberta, dispomos de modernos métodos de avaliar a pressão arterial e aparelhos digitais, mas que podem ainda assim apresentar resultados duvidosos e que nos fazem recordar o principal fundamento da medicina: sempre volte para conversar e examinar o paciente.

Alfredo Guarischi

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