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Uma história de amor
04/09/2017

Cirurgias são histórias únicas.

As cicatrizes são múltiplas, no paciente, na família e no cirurgião, que eventualmente conseguem ficar disfarçadas com “tatuagens”.

Mas as alegrias, que são muito mais frequentes, rejuvenescem qualquer cirurgião, que, ao compartilhá-las, não por vaidade ou autopromoção, dissemina o conhecimento e a saga do que é impossível é o que ainda não foi feito.

Vou contar a história da cirurgia de Duda, que tem sete anos de idade. Nariz fino, levemente arrebitado, é muito parecida com a mãe. Seu pai, é seu primeiro “namorado”. Menina sapeca, ao longo dos meses vinha se queixando de dificuldade para andar.

Sou amigo de seus pais, que, aflitos, me procuraram para se aconselhar, pois sua pequena precisaria ser operada. Estava com problema na medula nervosa, localizada no canal da coluna vertebral e que dá origem aos nervos.

Ufa! Senti o peso no ouvido e no coração, ao saber do problema, pois acabara de brincar com Maria, minha filha menor, da mesma idade de Dudinha.

A história era de uma longa jornada em busca do diagnóstico, mas finalmente Duda havia sido examinada pelo neurocirurgião infantil Gabriel Mufarrej. Ela padecia de uma espécie de encurtamento do ligamento final da medula espinhal - filum terminale - que, por um problema genético, não havia crescido de maneira adequada, com isso ancorando e prendendo o crescimento dessa verdadeira central de nervos.

Conheço Mufarrej há muitos anos e fui colega de seu pai, Wilson, um querido e brilhante neurocirurgião, no Hospital Municipal Souza Aguiar. Era tarde da noite, e mesmo assim resolvi ligar para Gabriel, que, de forma carinhosa, me convidou para assistir à cirurgia.

Fiquei na dúvida em aceitar ou não, afinal sou um “cirurgião de barriga”, e pensei no que minha presença ajudaria Duda, ou se eu seria um incômodo expectador nos tensos momentos que eventualmente podem ocorrer em qualquer procedimento cirúrgico.

Mufarrej insistiu: “Você vai gostar da cirurgia, que é muito bonita.”

Ele me convenceu. Os pais ficaram felizes, e lá fui eu ao encontro dos modernos microscópios utilizados em neurocirurgia, que facilitam no delicado trabalho. Os grandes monitores de tevê acoplados à microscopia, ao aumentarem em muitas vezes a imagem do local da cirurgia, permitem que todos na sala cirúrgica acompanhem o procedimento.

Mas o fascinante mundo da cirurgia é mesmo assistir a um coordenado trabalho de equipe.

Foram duas fascinantes horas em que pude ver um eficiente time de assistentes, anestesistas - havia duas anestesistas - e enfermeiros. Não havia necessidade de música, pois, com maestria e serenidade, Gabriel seccionou o caprichoso cordão que levaria a crescentes problemas sensoriais e motores, além da perda do controle da bexiga e do intestino.

Como eu rejuvenesci!

Obrigado, Dr. Gabriel Mufarrej.

Alfredo Guarischi
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