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O estetoscópio não morreu
03/04/2017

Entender o funcionamento do corpo humano é o passo inicial no tratamento mais adequado dos enfermos. Para isso, o bom senso recomenda a anamnese: perguntas objetivas - compreensíveis - e atenta escuta das respostas. Em seguida, vem o exame físico mais detalhado possível. Há 300 anos os médicos apenas podiam inspecionar e palpar seus pacientes na busca de pistas diagnósticas. Em 1761, o médico austríaco Leopold Auenbrugger descobriu que, colocando sua orelha sobre o peito do paciente e batendo levemente com os dedos na região, podia avaliar a textura dos órgãos subjacentes, de forma semelhante como se testava o nível do vinho armazenado em barris. Nascia dessa forma uma nova técnica de diagnóstico em medicina, a percussão.

A vida segue, e o médico francês René Laënnec pesquisava como entender o significado dos sons produzidos pelo coração e pulmões. A ausculta direta, com a orelha do médico tocando a parede torácica do paciente, era desconfortável, em especial em mulheres com seios volumosos. A correlação desses sons com as alterações que encontrava nas necropsias pouco o ajudava. Em 1816, examinando uma jovem “[...] por causa do grande grau de gordura [...] recordei-me quando ouvimos o arranhão de um pino em uma extremidade de um pedaço de madeira, aplicando nosso ouvido ao outro [...] então fiz uma espécie de cilindro de papel e apliquei uma extremidade à região do coração e outra à minha orelha, dessa forma ouvindo a ação do coração de uma maneira mais clara e distinta do que eu tinha com a aplicação direta do ouvido. A partir deste momento, imaginei [...] ouvir não o coração, mas toda espécie de som produzido pelo movimento das vísceras torácicas [...]”. Utilizando um cilindro de madeira perfurado, chamado por Laënnec de estetoscópio (“stethos”, “peito”; “skopein”, “explorar”), nascia a ausculta.

Usado no pescoço e balançando seus tubos plásticos, como um talismã, o estetoscópio é a figura que identifica o médico, mais do que o tradicional símbolo de Esculápio - um bastão envolvido por uma serpente.

Com o aperfeiçoamento dos aparelhos de ultrassom portátil (ecocardiograma de bolso), que permitem visualizar o funcionamento do coração e estudar os tecidos ao seu redor, há quem argumente que o “velho estetoscópio” viva seus últimos anos, dependendo apenas do barateamento do “mini-eco”, atualmente entre 12 e 60 mil reais (de 10 a 120 vezes mais que um estetoscópio novo). Isso é um equívoco. Embora o ecocardiograma de bolso auxilie em situações específicas e de urgência, ele não tem a precisão do ecocardiograma tradicional. Já o estetoscópio é um instrumento simples que depende da energia do médico para examinar o coração, pulmões, vasos sanguíneos, abdômen e pressão arterial.

Da mesma forma que na falta do moderno GPS podemos nos orientar pela bússola e pelo nascer do sol, o estetoscópio nos dá o norte para onde ir. Sua aposentadoria está longe, em qualquer direção que se deseje ir.

Alfredo Guarischi


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