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A tragédia dos fuzis

23/12/2019

O projétil de arma de fogo (PAF) é a principal causa dos homicídios no Brasil. O sangramento que ele ocasiona é responsável pela maioria das mortes, e as infecções, a segunda causa. Para cada paciente que morre, há três com sequelas permanentes.

O Rio de Janeiro está em 15º lugar entre as capitais mais violentas do Brasil segundo o detalhado Atlas, publicado em 2019 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Não somos a capital da violência, mas, diferentemente das outras capitais, aqui a marginalidade está armada com fuzis.

Os PAF são classificados em de baixa velocidade, 600 metros por segundo, como os das pistolas; e em de alta velocidade, chegando a um quilômetro por segundo, como os dos fuzis. No entanto, apenas a velocidade não explica o dano que pode ser produzido. Outro fato importante é a natureza do projétil, como seu peso, calibre e tantos outros.

Esses fatores, ao se combinarem, ocasionam uma transferência de energia do projétil em movimento para o corpo atingido, sendo proporcional à metade de sua massa e ao quadrado de sua velocidade (Ec = 1/2 mv2).

Os de baixa energia, ao atravessarem os tecidos, produzem uma cavitação temporária e limitada. Por outro lado, projéteis de alta energia produzem grande destruição. Fraturas, lesões térmicas, contaminação por partículas e materiais estranhos (como pedaços de roupa) resultam em lesões muito mais extensas do que aparentam inicialmente.

Quanto maior a densidade dos tecidos afetados pelo trauma, maior será a transferência de energia. Implodem fígados. Explode coração.

Nos últimos dois anos o número de armas ilegais apreendidas pela Polícia Militar foi de 400 por mês, quase cinco mil por ano.

Em 2019, até setembro, a média mensal foi de 410. Nada de novo! Porém os 404 fuzis de guerra apreendidos este ano, 44 por mês, é 51% maior que a média dos últimos dois anos.

Como fazer para que os marginais entreguem seus fuzis?

Help! – preciso de ajuda. It is my way – expus o que sei.

Alfredo Guarischi

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