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Mil passos ou dez medicamentos?

28/10/2019

A doença cardiovascular (DCV) continua sendo a principal causa de morte nos países desenvolvidos, mesmo estando em declínio nos últimos 40 anos; no entanto, nos países em desenvolvimento, ela continua aumentando.

Nós não nascemos com as coronárias entupidas, colesterol elevado ou hipertensão arterial. Vamos acumulando essas alterações ao longo da vida. Por que isso acontece?

Não conseguimos interferir (ainda) na genética, mas os três principais fatores de risco de DCV - tabagismo, dieta pouco saudável e falta de exercícios físicos - podem ser modificados. Basta deixar de fumar, evitar excessos alimentares e caminhar algumas vezes por semana. Sei que para muitos não é simples, mas garanto que a doença coronariana é mais complicada.

Desejamos viver mais e melhor, e a ciência médica tem contribuído para isso.

Os medicamentos para redução de lipídios, chamados estatinas, tornaram-se amplamente utilizados, havendo evidência científica comprovando o seu uso na diminuição das taxas de eventos cardíacos.

Por outro lado, também está claro que a aptidão física – a capacidade de executar atividades com vigor e sem fadiga extrema – prediz os resultados clínicos entre indivíduos. Vários estudos demonstraram que a baixa aptidão física aumenta o risco para desfechos cardiológico adversos. No entanto, uma pequena melhora na aptidão aeróbica resulta em grande diminuição do risco de morte por DCV.

Por que então os recursos para pesquisas são mais direcionados para medicamentos ou procedimentos invasivos, como a colocação de stents? O que tem mais efeito colateral: medicamentos e procedimentos invasivos ou exercícios físicos?

Aqueles que se exercitam regularmente melhoram a cognição, reduzem o risco de queda, melhoram sua qualidade de vida e têm os benefícios semelhantes aos proporcionados por estatinas – medicamentos que têm frequentes efeitos colaterais.

O uso de estatinas e níveis mais altos de aptidão física diminuem, de forma independente, o risco de mortalidade por DCV. A combinação de tratamento com estatina e condicionamento aeróbico relativamente modesto diminui consideravelmente o risco de mortalidade, mais do que com o uso de estatina sozinho.

A solução para o aumento da expectativa de vida poderá vir com novos procedimentos ou medicamentos para reduzir a glicemia nos diabéticos, a pressão arterial ou o colesterol. São possibilidades, terão custos, e conhecer seu resultado final demorará algum tempo, sem considerar a quantidade de prováveis desfechos desfavoráveis ao longo desse processo.

Portanto, caro leitor, não deixe de tomar os medicamentos prescritos pelo seu médico, mas também “gaste” um pouco de seu tempo se exercitando regularmente. Sai barato, garanto.

Alfredo Guarischi

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